Quando existem vários créditos, juntar as prestações numa só pode parecer a solução mais simples para reduzir a despesa mensal. Antes de consolidar, é importante comparar o custo total da nova operação com o custo de manter os créditos atuais ou de renegociar as suas condições.
Consolidar créditos ou renegociar: qual é a diferença?
Um crédito consolidado resulta da junção de vários empréstimos num único contrato. Em vez de ter diferentes prestações e datas de pagamento, o cliente passa a ter uma única prestação.
Na renegociação, não é criado necessariamente um novo crédito: procura-se alterar as condições de um contrato existente, como o prazo, a taxa de juro ou a modalidade de reembolso. A renegociação depende sempre de acordo entre o cliente e a instituição e não pode dar lugar à cobrança de uma comissão.
A diferença é importante porque as duas soluções respondem a problemas diferentes. Consolidar pode simplificar a gestão de várias dívidas, enquanto renegociar pode permitir melhorar as condições de um crédito que já existe.
A prestação mais baixa pode sair mais cara
É aqui que deve ser feita a conta que muitas vezes fica de fora da comparação.
Imagine que tem três créditos com prestações que totalizam 650 euros por mês e encontra uma solução de consolidação com uma prestação de 450 euros. A diferença de 200 euros melhora o orçamento mensal, mas não significa, por si só, que vai poupar 200 euros.
Se o novo crédito tiver um prazo significativamente mais longo, poderá pagar juros durante mais tempo. O resultado deve, por isso, ser avaliado através do custo total do financiamento e não apenas da prestação mensal.
A TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) permite comparar o custo anual do crédito, tendo em conta os juros e outros encargos associados ao financiamento. Já o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) mostra quanto será pago no total ao longo do contrato, incluindo o capital, os juros e os restantes encargos considerados no cálculo.
Quando pode fazer sentido consolidar?
A consolidação pode ser uma opção a analisar quando existem vários créditos com diferentes prestações e custos e se pretende simplificar a gestão mensal da dívida.
Mas a comparação deve partir dos valores concretos: quanto falta pagar em cada crédito, qual a taxa aplicada, quanto tempo falta para terminar cada contrato e quais os custos associados à nova solução.
E quando é melhor renegociar?
Se o problema está sobretudo nas condições de um dos créditos, pode fazer sentido começar por falar com a instituição atual. A renegociação pode envolver alterações ao prazo de amortização, à taxa de juro ou a outras condições do contrato, sempre mediante acordo entre as partes.
Antes de juntar vários créditos, vale por isso a pena perceber se existe margem para melhorar as condições dos contratos que já tem. Se a renegociação permitir reduzir custos sem aumentar excessivamente o prazo, poderá ser uma alternativa à consolidação.
A conta que deve fazer antes de juntar os créditos
Compare o total que ainda vai pagar pelos créditos atuais com o MTIC da nova solução de consolidação. Depois, analise a diferença na prestação mensal e o prazo de pagamento.
Uma prestação mais baixa pode dar maior margem ao orçamento, mas, se for conseguida através de um prazo muito mais longo, o custo total pode aumentar.
A decisão deve partir desta comparação: quanto pago hoje, quanto passaria a pagar por mês e quanto pagaria no total até ao fim do novo contrato?
Só depois desta conta é possível perceber se consolidar os créditos melhora apenas a gestão mensal ou se representa também uma redução efetiva do custo do financiamento.
