Um pedido de crédito habitação pode ser recusado por um banco e aprovado por outro. Isto não significa necessariamente que exista um erro na primeira análise ou que o cliente tenha um problema financeiro.
Os bancos têm critérios de risco, políticas de concessão e modelos de avaliação diferentes. Embora existam regras e recomendações que todas as instituições devem respeitar, cada banco pode definir os seus próprios critérios para avaliar o risco de cada operação.
Por isso, uma recusa num banco não significa automaticamente que o cliente não tenha capacidade para obter financiamento. Pode significar que, para aquela instituição, naquela configuração específica, o risco da operação não se enquadra nos critérios definidos.
Cada banco vê o risco de forma diferente
Quando analisa um pedido de crédito habitação, o banco considera vários elementos da situação financeira do cliente e das características da operação.
Entre os principais fatores estão os rendimentos, a estabilidade profissional, a idade dos titulares, a taxa de esforço, outros créditos existentes, o histórico de responsabilidades de crédito, o valor do financiamento e as características do imóvel.
Estes dados são depois avaliados através dos critérios e modelos de risco próprios de cada instituição.
Na prática, o mesmo perfil pode ser considerado elegível por um banco e não cumprir os critérios de outro.
A diferença pode estar num detalhe aparentemente pequeno: a forma como determinado tipo de rendimento é considerado, o peso atribuído aos encargos existentes, o prazo solicitado, o montante de financiamento ou a avaliação do imóvel.
O scoring bancário não é igual em todos os bancos
O chamado scoring bancário é uma das ferramentas utilizadas pelas instituições financeiras para avaliar o risco associado a um cliente ou a uma operação de crédito.
Não existe, contudo, um único scoring válido para todos os bancos. Cada instituição utiliza os seus próprios modelos, critérios e políticas internas de avaliação.
Isto ajuda a explicar porque é que duas instituições podem chegar a conclusões diferentes perante uma situação financeira semelhante.
O scoring não deve ser encarado como uma classificação universal do cliente. É uma componente da análise de risco de cada instituição e é conjugado com outros elementos antes de ser tomada uma decisão.
O que pode levar um banco a recusar um crédito habitação?
Uma recusa pode resultar de diferentes fatores e nem sempre existe apenas uma razão.
Entre os elementos que podem pesar na decisão estão:
- Taxa de esforço elevada, quando as prestações representam uma parte significativa do rendimento do agregado;
- Outros créditos ou responsabilidades financeiras, que reduzem a margem disponível para assumir uma nova prestação;
- Rendimentos insuficientes ou considerados pouco estáveis;
- Situação profissional, incluindo o tipo de vínculo e a estabilidade dos rendimentos;
- Idade dos titulares e prazo do financiamento;
- Montante solicitado, quando é considerado elevado face à capacidade financeira;
- Valor ou avaliação do imóvel, quando existe uma diferença relevante entre o preço de compra e o valor considerado pelo banco;
- Histórico de responsabilidades de crédito, que pode influenciar a avaliação do risco.
Alguns destes fatores podem ser alterados. Por exemplo, reduzir o montante solicitado ou aumentar os capitais próprios pode melhorar as condições da operação.
Outros fazem parte do perfil financeiro do cliente e não podem ser modificados de forma imediata. Nestes casos, a política de risco de outra instituição pode resultar numa avaliação diferente.
O que fazer depois de uma recusa?
Receber uma resposta negativa não significa necessariamente que o processo deva terminar.
O primeiro passo deve ser perceber, tanto quanto possível, o que esteve na origem da decisão. Se o problema estiver relacionado com o montante solicitado, o prazo, a taxa de esforço ou outra característica da operação, pode ser possível ajustar o pedido.
Por exemplo, um cliente que não consiga obter aprovação para determinado montante pode conseguir financiamento para um valor inferior. Da mesma forma, alterações nos capitais próprios ou na estrutura do pedido podem mudar a análise.
Quando o problema está relacionado com critérios internos de risco, pode também fazer sentido analisar o processo junto de outras instituições.
Porque é que comparar vários bancos pode ajudar?
Analisar o pedido em mais do que um banco permite perceber se a dificuldade está relacionada com a capacidade financeira do cliente ou com os critérios específicos de determinada instituição.
Esta comparação é particularmente relevante quando existem características menos convencionais no processo, como diferentes tipos de rendimento, situações profissionais específicas ou uma operação que exige uma análise mais detalhada.
No entanto, é importante não assumir que uma segunda instituição irá necessariamente aprovar o crédito.
Cada banco faz a sua própria avaliação e uma nova análise pode chegar à mesma conclusão. O objetivo de comparar diferentes instituições é aumentar o conhecimento sobre as opções disponíveis e perceber se existe uma solução mais adequada ao perfil e à operação.
Uma recusa não significa que não pode comprar casa
É importante distinguir entre um crédito recusado por determinado banco e a impossibilidade de obter crédito habitação.
Uma decisão negativa pode estar relacionada com a configuração específica do pedido. Se essa configuração for alterada, ou se outra instituição aplicar critérios diferentes, o resultado pode ser outro.
Por isso, perante uma recusa, pode ser útil rever o montante solicitado, o prazo, os capitais próprios e a composição do pedido antes de avançar novamente.
Também deve ser analisada a capacidade financeira do agregado. Se a taxa de esforço estiver demasiado elevada ou existirem vários créditos em curso, por exemplo, procurar simplesmente outro banco pode não resolver o problema.
Se o seu crédito habitação foi recusado, conhecer o motivo da decisão e analisar o processo junto de diferentes bancos pode revelar alternativas que ainda não considerou.
