A partir de 1 de agosto de 2026, entrou em vigor uma nova recomendação macroprudencial do Banco de Portugal que altera o enquadramento da taxa de esforço no crédito habitação, passando a referência de 50% para 45%. A alteração é relevante para quem está a preparar um pedido de financiamento, mas não significa que todos os clientes possam comprometer até 45% do rendimento com prestações de crédito. A capacidade de financiamento continua a depender do rendimento, dos encargos existentes, do prazo e de outros fatores avaliados pelo banco.
O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço indica qual a parte do rendimento mensal de um agregado familiar que fica comprometida com o pagamento das prestações dos seus créditos.
O cálculo é feito dividindo o total das prestações mensais de crédito pelo rendimento mensal do agregado e multiplicando o resultado por 100.
Por exemplo, um agregado com um rendimento mensal de 3.000 euros e encargos mensais de 900 euros tem uma taxa de esforço de 30%.
Este indicador permite perceber se existe margem financeira para assumir uma nova prestação, sendo um dos elementos considerados na análise de um pedido de crédito.
O que mudou a 1 de agosto?
A 1 de agosto de 2026 entrou em vigor uma nova recomendação macroprudencial do Banco de Portugal, que introduziu alterações na avaliação da capacidade dos clientes para suportar um crédito.
Neste contexto, a referência a uma taxa de esforço de 45% passou a ter particular importância para quem está a preparar um pedido de crédito habitação.
É importante, no entanto, interpretar corretamente esta alteração. 45% não é uma taxa de esforço que todos os clientes possam atingir nem representa um limite de financiamento garantido pelo banco.
A instituição financeira continua a analisar o perfil de cada cliente, os seus rendimentos e encargos e as características do empréstimo antes de decidir o montante que está disponível para financiar.
Quanto pode pedir para comprar casa?
A taxa de esforço, por si só, não permite determinar o montante máximo de crédito.
O valor que pode pedir depende de vários fatores, como o rendimento mensal, os encargos que já existem, o prazo do empréstimo, a idade dos titulares e as condições da proposta de financiamento.
Por isso, dois agregados com o mesmo rendimento podem ter capacidades de financiamento diferentes. Quem não tem outros créditos, por exemplo, terá à partida uma situação diferente de quem já paga um crédito automóvel ou pessoal.
O prazo também influencia a prestação: um prazo mais longo tende a reduzir o valor mensal, embora possa aumentar o custo total do financiamento.
A idade dos titulares, o valor do imóvel, a entrada disponível e a avaliação bancária são igualmente considerados.
O que deve fazer antes de pedir crédito habitação?
Antes de avançar para um pedido de crédito habitação, faça uma análise do seu orçamento e não apenas do preço do imóvel.
- Calcule o rendimento mensal do agregado.
- Some todas as prestações de crédito que já paga.
- Estime uma prestação mensal que consiga suportar.
- Simule diferentes prazos de financiamento.
- Considere o valor da entrada e os restantes custos associados à compra.
- Só depois defina o intervalo de preços dos imóveis que pretende procurar.
A taxa de esforço é um indicador importante, mas deve ser analisada em conjunto com os restantes elementos do processo de crédito.
Antes de escolher casa, conheça a sua capacidade financeira
A alteração da taxa de esforço para 45% torna ainda mais importante perceber como é calculada a capacidade de financiamento. O rendimento, os encargos existentes, o prazo, a idade dos titulares, o valor do imóvel e a entrada disponível podem fazer uma diferença significativa no montante que poderá obter.
Faça uma simulação da sua taxa de esforço e perceba qual poderá ser a sua capacidade de financiamento antes de avançar para a compra de casa.
